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A Pussy que a Pariu

Esparta, Atenas, espartilho e aspartame I

Postado dia
25/3/2020

Todos temos histórias. E é satisfatório olhar para trás e vislumbrar um trejeito de trajeto ao "até aqui", mediado por escolhas que, sim, fizemos... Somos resultantes de como reagimos a cada acontecimento, sonho, obstáculo, frustração. Somos o algoritmo vivo do caminho.

E uma das variáveis fundamentais nessa minha matemática como indivíduo foi, e tem sido, o esporte e, sobretudo, a disciplina e o foco trazidos pela prática esportiva.

Venho de uma família de esportistas. Meu pai é técnico de basquete, um estudioso na área. Cresci em meio aos desenhos táticos de quadrinhas e jogadas espalhadas pelacasa. Minha mãe foi jogadora de vôlei e é artista plástica/ilustradora. Abandonou o esporte quando entrou para a faculdade, mas manteve o hábito esportivo. HojeMamma exercita-se regularmente como uma profissional: 7-7 vezes por semana entre1 e 2 horas por dia.

Uma família com uma genética esportiva, mas maciçamente italiana.

Una famiglia che mangia bene... Benissimo...

E é desse DNA que se constitui meu binômio existencial: comida e treino.

Adoro comer (chuchu, mas adoro) e adoro treinar...

Mas nem sempre foi assim. Tive meus percalços como criança/adolescente que adora e adora e adorava comer de tudo, sem regras ou preocupações com a balança. E, apesar de ativa, a conta acabou não fechando, nem o zíper: sempre muitas calorias a mais e o resultado: aos 13anos e meus 1,60m à época, cheguei aos 83 Kg.

Fernanda:uma criança feliz e (dane-se) gorda.

A despeito da coleção de bonecas Barbie, a cintura extra nunca me incomodou, exceto quando ia comprar roupas e encarava um daqueles espelhos... Ah, aqueles espelhos inquisidores dos provadores!

Nenhuma calça servia... Jeans?? Jamais!!

Eu não conseguia entender como a Barbie se dava tão bem com o guarda-roupa. Um dia talvez eu chegasse lá, mas entre o vestidinho justo ou o biquíni cor-de-rosa, eo pacote de bolacha recheada de doce-deleite, ou as lajotinhas da Kopenhagen, a Nhá-Benta... Ah, a Barbie que ficasse com todo o meu pretenso guarda-roupa 38. O moleton GG ficava ótimo em mim! As bolachas também.

O sobrepeso só incomodou quando começaram as piadas. E eram coleções delas... Mas o mantecau ainda consolava, as bananas split, as pizzas... Ah, as pizzas de catupiry do Michellucio, a beringela do Tio Gino, o frango com polenta do Florestal, a bolachinha do Alemão ...

Vivia o melhor estilo de vida  Mangia che te fa bene, até que a saúde começou a dar sinais de alerta, antes dos 10 anos de idade (colesterol alto, triglicérides, glicemia). Visitei inúmeros endocrinologistas já que, à época, não se falava muito em nutrição. Queria desesperadamente ter algum problema de tireóide (que eu nem sabia o que era) ou qualquer outro porém cuja resolução não passasse por uma dieta restritiva. Não tive sorte: meu problema era a boca tamanha.

E foram algumas muitas tentativas frustradas rumo ao monstro da reeducação alimentar. Era difícil seguir a regra de comer em um pratinho de sobremesa; então minha solução criativa era comer uma montanha no pratinho de sobremesa. Era forçoso acordar de manhã com todas as expectativas de um belo dia e experimentar o pão de glúten (que tinha gosto de papel sulfite) com a meia colher de sobremesa de geleia diet sabor amora. Coitada da Barbie...

Claro que não deu... Tudo o que eu via na sopa de salsão era a miragem da torta de limão da Mamma, a pastiera de Natal, o bolo de nozes, o hambúrguer do Kaskatas, o pão de linguiça da São Vito, a schiacciata alle cipolle da13 de Maio!!! Claro que não ia dar!!

Cai e recaí muitas e muitas vezes até que a Barbie me deu um sermão: todas as minhas amigas tinham seus namoradinhos e eu era só a gordinha que tirava dez e para quem os meninos pediam o caderno... e o lanche.

A Barbie estava muitooooofendida...

Não, a Barbie estava puta!!!

E aí, Barbie? Vai encarar???

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